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domingo

Expressão musical - evolução/actividades


BRINCADEIRAS MUSICAIS

Dos 0 aos 6 meses

Música Suave

Tendo em conta o tipo intra-uterino de contacto com o ritmo e movimento, é vantajoso ter música instrumental suave (que não tenha grande amplitude em termos de intensidade), como canções de embalar e música clássica.

Tons de voz diferentes

A investigação sobre o cérebro conclui que os bebés no seio materno já conseguem distinguir o som das vozes humanas. Ouvir os mesmos sons e outros sons diferenciados é um factor de continuidade e enriquecimento na vida do bebé. Quando um bebé ouve sons mais fortes, o seu ritmo cardíaco aumenta, sentindo-se feliz e divertido; quando o tom de voz é suave e doce, o bebé sente-se confortável e satisfeito. Pode cantar-se a mesma canção em intensidades, alturas e timbres diferentes.

Canção para mudar a fralda

Sendo o mudar da fralda um momento de intimidade entre o adulto e o bebé, cantar promove ainda mais a ligação afectiva. A mãe ou o pai podem improvisar, cantando ou dizendo ritmadamente algumas palavras. Cantar a sorrir transmite estabilidade e amor. O bebé é especialmente sensível a certos gestos e pormenores.

Dos 3 aos 6 meses

Gravar o bebé

Com quatro dias, os bebés distinguem uma língua de outra e começam a prestar atenção às palavras. Os pais podem gravar, com uma câmara ou uma gravador de repórter, o palrar do bebé, verificando depois a reacção do bebé ao ouvir os próprios sons. Essa gravação pode acompanhar o crescimento do bebé, tornando-se mais tarde um documento precioso e divertido. Além desse tipo de gravação, os pais podem também gravar sons da natureza ou usar mesmo CD's já existentes. Exercícios deste tipo são um investimento a longo prazo nas aptidões linguísticas da criança.

Balançar o bebé

Balancear e embalar favorecem o gatinhar e andar futuros do bebé. Além de serem divertidos, os movimentos balanceados têm um papel importante na aquisição do equilíbrio fundamental para aprender a andar. O balanço pode ser feito em lugares e de modos diferentes, no colo, sobre a barriga, segurando sempre a criança de modo a não cair. Pode cantar-se a rima de balancear:

“Tão balalão,
cabeça de cão,
orelhas de gato,
não tem coração”

Dos 6 aos 9 meses

Sons variados

É conveniente expor o bebé a sons variados. Uma voz agradável e o contacto visual com o pai ou com a mãe fazem com que o coração do bebé bata mais depressa. Abraçando o bebé enquanto ele provavelmente lhe tocará com as mãos nos lábios, imite o zumbido de uma abelha, dê estalidos com a língua, invente sons com a boca e veja como o bebé tenta imitá-lo.

Som

As experiências musicais aumentam a aptidão da criança para raciocínio e as ciências matemáticas. A consciência auditiva adquire-se com a idade, os estímulos e a experiência. Os jogos auditivos contribuem para o estabelecer de ligações no cérebro. Com duas pessoas, pode-se colocar na sala e mudar de sítio um pequeno rádio, um sintetizador de brincar ou outro instrumento. Enquanto a mãe, por exemplo está com o bebé, o pai toca num lugar e noutro, ou desloca-se com o rádio ou instrumento. Verifique a reacção do bebé, e pergunte-lhe: "Onde está a música?" Se a criança se tiver voltado para o lugar certo, merece palmas: é uma forma de o estimular. À medida que o bebé vai crescendo, aumenta-se de forma progressiva o grau de dificuldade do jogo.

Tambor

O desenvolvimento do cérebro é estimulado pela utilização de certos músculos ligados à motricidade. Além de ser uma actividade divertida para o bebé, agarrar coisas como a baqueta e bater no tambor é importante para a coordenação motora. Se não tiver um tambor, pode-se utilizar uma pequena colher de pau ou uma clava. Pode-se cantar uma canção tradicional, tocar também com um pauzinho, ou improvisar sobre as palavras:

“Tum tum tum
faz o meu tambor.
Tum tum tum
toca o meu amor.”

Música e Movimento

O movimento e a música em conjunto, assim como tocar com ambas as mãos, estimula ambos os lados do cérebro. Circular pela casa a cantar, por exemplo:

“O balão do João
sobe, sobe pelo ar.
Está feliz o petiz
a cantarolar”

Quando se disse as palavras "sobe, sobe pelo ar", eleva-se o bebé. Depois, desce-lo e dar-lhe um beijo.

Canto, movimento, fala

A exposição da criança à música quando está ainda no seio materno dá-lhe um maior potencial de aprendizagem. Por outro lado, crianças privadas de experiências de linguagem terão mais dificuldade num discurso fluente e num bom domínio da língua em adulto. O objectivo não é que o bebé consiga entender as palavras, mas iniciá-lo num processo de ensino/aprendizagem. Sem as entender, ele vai gostar de ouvir as palavras cantadas. Se a canção tiver uma palavra mais conhecida do bebé, pode realçar-se cantando-a mais forte. Podem também dizer-se as palavras, mantendo o ritmo, em registos grave e agudo.

Canção de Embalar

O palrar, o olhar e o sorrir contribuem para o estabelecimento de laços mais fortes entre o bebé e o adulto. Mesmo que os pais não sejam dotados nem possuam técnica vocal, a suavidade do seu canto acalma o bebé e aumenta a sua ligação afectiva. Antes de ele adormecer, cante-lhe canções de embalar como:"Fais dodo, Colin mon p'tit frère", "Brilha, brilha lá no céu". Depois do último verso, é importante manter um contacto físico com a criança dando-lhe um abraço se o bebé estiver no colo, ou um beijinho se já estiver no berço.

Dos 9 aos 12 meses

Ouvir as conversas

Pausas entre as frases e segmentos de frase ajudam o bebé a concentrar-se nos sons da língua. A experiência auditiva é determinante da qualidade da sua linguagem futura. Daí a importância de o bebé ouvir as conversas às refeições maiores ou, pelo menos, ao jantar, sabendo-se como muitas vezes ao almoço a família não está reunida, sobretudo nos meios citadinos. Os telejornais, desenhos animados, a rádio, têm igualmente um lugar importante no processo de aprendizagem da criança, que tentará muitas vezes imitar os sons. A interacção com o bebé será importante.

Cantar durante o banho

Um ambiente familiar rico em linguagem oral e variedade sonora gera maiores aptidões linguísticas e musicais. Enquanto os pais dão banho ao bebé, é importante divertir-se e divertir o bebé cantando, por exemplo, a canção:

“Pelo muro acima
vai uma formiga
com a mão na testa
e outra na barriga.
Pelo muro abaixo
vai o escaravelho
com a mão na barriga
e outra no joelho”

Ao dizer "muro acima", por exemplo, sobe -se com a mão ou a luva pelo braço do bebé acima, e o inverso quando se diz "pelo muro a baixo". Pode-se cantar ainda outras canções que falem da água, por exemplo.

Equilíbrio

O equilíbrio da pessoa depende muito do amor e do carinho vivido nos primeiros anos. Quando der banho ao bebé na banheira, sente-o, mantendo-o seguro. Movimente-o para a frente e para trás de forma ritmada, cantando-lhe uma canção relacionada com o tema da água, por exemplo:

“Um barquinho ligeiro andava,
ligeirinho andava no mar.
A nuvem passou,
o mar se agitou,
o vento a soprar
e os barcos a virar.

Vem a onda,
baloiça o barquinho
e o barquinho
faz "tchape" no mar.

Andamentos

As experiências rítmicas e musicais precoces melhoram o raciocínio espacio-temporal e geram maior aptidão para conceitos matemáticos. Pode-se por exemplo, sentar o bebé na sua cadeira, à mesa, sem pratos, ou no chão. Dar-lhe uma baqueta, uma colher de pau ou uma clava. Cantar uma canção, "As pombinhas da Cat'rina", por exemplo. Acompanhar a canção tocando um instrumento. Incentivar o bebé a fazer o mesmo, variando o andamento, mais rápido e mais lento.

Canção com variações

Certos jogos infantis com movimento são exercícios neurológicos que ajudam a criança a assimilar padrões linguísticos e a adquirir capacidades motoras. Além dos sons que pode fazer com a boca, a criança desenvolve a sua aptidão linguística se ouvir canções tradicionais que, além disso, beneficiam a criança em termos de integração no grupo, no Infantário e, futuramente, na Escola. Cantar com matizes diferentes, forte e piano, em registo mais grave e mais agudo, com figurações rítmicas diferentes, ajudará o bebé a desenvolver a sua capacidade linguística e musical.

Palavras em destaque

Os recém-nascidos têm muitos genes e sinapses que os tornam aptos para a aprendizagem da Música. Por exemplo: Sentar-se com o bebé no chão e cantar uma canção segurando as mãos do bebé, abertas, e na sílaba tónica da última palavra bater as palmas, enfatizando a última palavra:

“O porquinho foi à HOR TA
e comeu uma BO LO TA.
O cão também lá quis IR
mas fecharam-lhe a CASOTA.
É bem feito porque o CÃO
tem a mania que é ESPERTA LHÃO”

Sentimentos

A fala, a leitura de histórias e o canto têm efeitos muito benéficos na criança. Cantar e representar sentimentos e sensações ajudará a criança a exprimir-se mais facilmente.

“Eu sou tão feliz
porque estás comigo.
Eu sou tão feliz
porque estou contigo.

Eu fico tão triste
quando não estás.
Tu ficas tão triste
quando não estou.”

Sons

Sons de intensidade forte captam mais a atenção da criança e o falar pausado facilita a distinção das palavras. Repetir sons que o bebé começa a dizer cedo, como p, m, b, d, g ou outros, juntando-lhes vogais ajuda o bebé a criar bases linguísticas para uma expressão verbal fluente. É vantajoso cantar frases ou estrofes que realcem esses sons. Outra actividade poderá consistir em cantar com os sons que o bebé faz sobre melodias conhecidas.

Dos 12 aos 15 meses

Sons agradáveis

Há sons que podem assustar os bebés. À medida que a criança toma consciência deles, fica mais tranquila, percebendo que o "tic-tac" de um relógio de sala, uma torneira aberta, o ranger de uma porta, o rádio a tocar não são coisas más. O pai ou a mãe podem dar o exemplo de criar sons e o bebé pode achar interessante e fazer o mesmo, como fechar e abrir a porta de um armário que range, agarrando a chave ou o puxador.

Cantar

Em termos gerais, quanto mais precoce é o estímulo musical sobre o bebé, mais potencial terá a criança para a música. Pode-se cantar em casa, no carro, enquanto se passeia, desenvolvendo a sua sensibilidade artística.

Bater as palmas

Bater um pequeno ritmo com a mão direita na palma ou nas costas da mão esquerda, ou vice-versa. Colocar em seguida a palma, mão ou braço diante do bebé de modo que ele possa bater como lhe agradar. Volte a percutir e espere a reacção dele. É provável que bata com ambas as mãos e se ria de contente. Pode fazer o jogo de percussão utilizando também um instrumento da família membranofone.

Dos 15 aos 18 meses

Brinquedos

A variedade dos sons a que o bebé é exposto desenvolve a sua capacidade auditiva. Agarrar num brinquedo de que o bebé gosta, incentiva a criança a imitar o objecto que ele representa, tenha em si música ou não. Se é um carro, imita o seu som, e faz o mesmo com o cão, o gato ou as bonecas.

Língua estrangeira

Quando a criança ouve sons de uma língua diferente, criam-se conexões nervosas no cérebro do bebé. Assim, está a proporcionar-se à criança, um ambiente propício à aprendizagem. Por exemplo pode-se apenas dizer “olá”
em diferentes idiomas:

Olá
Hello
Bonjour

Onomatopeias

O cérebro tem uma grande capacidade para armazenar informações mas precisa de ser estimulado. Ouvir vozes de animais e imitá-los incrementa o início da linguagem. Mostrar livros ilustrados sobre animais e pronunciar os seus sons característicos, associando a visão e audição, desenvolve o raciocínio da criança. A criança beneficia também com a exposição a fontes sonoras diferentes, mecânicas e naturais.

Dos 18 aos 21 meses

Vozes diferentes

A ligação dos circuitos cerebrais beneficia com experiências ricas e diversificadas na primeira infância. Conversar e cantar em tons de voz diferentes, incentiva a capacidade linguística do bebé. Cantar normalmente uma canção; e em seguida, cantar a mesma canção com uma voz mais aguda, grave ou suave.

Música Clássica

Ouvir (e ao mesmo tempo dançar ao som de) música clássica é uma actividade que fortalece os circuitos cerebrais mais tarde utilizados nas matemáticas e tarefas racionalmente complexas.Por exemplo, uma valsa "Danúbio Azul" de Strauss favorecerá a dança, o "Carnaval dos animais" de Camille Saint-Saëns representa vários animais através de instrumentos, o "Quebra-nozes" de Tchaikovsky é adequado para encenações. E ver bailados clássicos e desenhos animados musicais como "A flauta mágica" beneficia o bebé em vários aspectos.

Escutar

A exposição a uma grande variedade de estímulos sensoriais possibilita uma maior flexibilidade para a aprendizagem. A experimentação de sons, cores, cheiros, músicas, línguas é, por isso, de grande importância. É importante, o bebé tomar consciência dos sons e cores da natureza: ajudar a ouvir e observar os animais, o efeito do vento nas folhas das árvores, os chocalhos, o ruído métrico das máquinas, o ritmo da poesia.

Dos 21 aos 24 meses

Cantar

A audição diversificada de sons incrementa a expressão verbal. Por exemplo, o adulto pode sentar-se no chão com o bebé, e dizer frases pequeninas sobre um objecto que a criança pode tocar, por exemplo:

“Que bonito é o gatinho,
que bonito é o gatinho.”

Dos 30 aos 33 meses

Jogos

O pai, a mãe ou o irmão pegam num instrumento ou brinquedo sonoro de que a criança goste muito. Afasta-se (não muito) pela casa, com o objecto, e faz com que o bebé lhe toque. A criança será motivada para o encontrar. Pode fazê-lo algumas vezes enquanto o interesse do bebé se mantiver e ele possa seguir o som do brinquedo. Outra maneira de fazer, como já foi referido, é tapar os olhos da criança e movimentar o brinquedo sonoro à sua volta para que tente descobrir de onde vem o som.

Dos 33 aos 36 meses

Jantar musical

A aprendizagem e interacção com os outros estão intimamente ligadas aos estímulos recebidos nos primeiros anos de vida. A conversa ao jantar é muito benéfica em termos de afectividade e de aptidão para a linguagem. Mas também se pode jantar, de vez em quando, com um fundo musical, clássico ou ligeiro, com jazz ou com fado. Pode também fazer-se de vez em quando as perguntas de uma forma métrica e melódica, por exemplo: “Queres uma babata?”. A pergunta ou resposta deve ter o carácter interrogativo ou afirmativo que lhe é próprio. É provável que mais tarde a criança entenda mais facilmente o significado musical da frase, o carácter suspensivo ou conclusivo da mesma e o próprio carácter tonal da música.


Figura 1 – Quadro da Evolução Musical da Criança

4 meses

Canta ritmicamente sobre um único som ( Teplov)

Imita o canto sem atender à altura do som ( Teplov)

6 meses

Começa a entender e a produzir dois sons ( Teplov)

É-lhe extremamente difícil estabelecer a altura exacta ( Teplov)

9 meses

O canto associa-se a tudo o que faz ( Teplov)

Primeiras expressões músico-rítmicas ( Teplov)

10 meses

Passa ao “ canto do trabalho””, acompanhando com canções os seus jogos: bater os pés, balançar-se, etc. ( Teplov)

1 ano

Tenta acompanhar ritmos com o corpo ( Teplov)

Balança-se sob a incitação de uma música com muito ritmo, estabelecendo uma sincronização entre os sons e o movimento (Francês)

Aparece a imitação diferenciada, podendo a criança cantar um fragmento de uma canção sem, no entanto, a entender ( Zenatti)

Canto espontâneo de sílabas ( Gesell)

Amplia a margem de tempo, tom e intensidade de voz ( Gesell)

Presta grande atenção a certos sons, como campainhas, assobios, relógios, etc. ( Gesell)

Reacção rítmica à música com uma actividade total do corpo ( Gesell)

Imita o galo, o comboio, um apito ( Teplov)

2 anos

Gosta de experimentar sons de instrumentos (Teplov)

Canta versos soltos de canções geralmente fora do tom (Gesell)

Reconhece algumas melodias (Gesell)

Gosta do ritmo, que a estimula a cantar (Gesell)

Abunda em reacções rítmico- corporais (Gesell)

3 anos

É capaz de agrupar entre si elementos sonoros idênticos (Zenatti)

Sobre a altura dos sons, já é capaz de formar uma imagem mental em relação com os sons dados por um instrumento (Zenatti)

Capta bem uma música e pode praticá-la (Souriau)

Grita no agudo e canta no registo grave (Souriau)

Frequentemente pode reproduzir canções inteiras, ainda que geralmente fora do tom (Gesell)

Começa a fazer coincidir os tons simples (Gesell)

Menos inibição para cantar em grupo (Gesell)

Pode reconhecer várias melodias simples (Gesell)

Gosta de experimentar instrumentos musicais (Gesell)

Gosta de experimentar grupos rítmicos (Gesell)

Trota, salta, caminha e corre, atendendo bem ao compasso da música (Gesell)

Batendo regularmente uma cadência, nota-se uma atitude espontânea de balanceamento da cabeça, de vibração e movimentação do corpo (Fraisse)

Consegue seguir uma música, batendo, por exemplo, com um lápis sobre a mesa (Fraisse)

Consegue uma boa sincronização motora, acompanhando o ritmo de marcha (Fraisse)

Dança ao ritmo da música, mas não de forma global (Fraisse)

Pode reproduzir estruturas rítmicas de 3 e 4 elementos (Fraisse)

Continua na recolha de experiências sonoras. Tendo poucas vivências musicais, não consegue ainda combiná-las intelectualmente, para criar;

Gosta de imitar e repetir;

A sua capacidade torácica não lhe permite cantar canções com frases demasiadamente longas sem respirações intermédias.


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